A natação é
tão antiga quanto o homem, pois desde o início
dos tempos, era necessário nadar para se locomover
e se alimentar, atravessar rios, lagos e mares em busca
de abrigo e alimentos. A
natação só começou a ser
organizada no século XVII, no Japão,
onde o Imperador determinou que ela fosse ensinada
e praticada nas escolas, mas como o Japão era
um país fechado, isso não se disseminou
para o resto do mundo.
Foi
na Inglaterra, em 1837, que a natação
foi organizada como competição pela
primeira vez, quando foi fundada a Sociedade Britânica
de Natação. No início, o estilo
adotado pelos atletas era o nado peito. Na década
de 1870, J. Arthur Trudgeon, um instrutor inglês
de natação, viajou para a América
do Sul e observou um estilo alternativo de se nadar.
Ele levou o novo estilo para a Inglaterra, onde era
chamado nado “trudgeon”, hoje, conhecido
como nado crawl com pernada de tesoura.
A
natação é um dos esportes nobres
das Olimpíadas ao lado do atletismo. Sempre
foi um esporte olímpico, desde a primeira disputa
em Atenas, 1896. Naquele ano, apenas os estilos livre
(crawl) e peito foram disputados. O nado costas foi
incluído nos Jogos de 1904, já o borboleta,
surgiu como evolução do nado peito,
na década de 1940.
No Brasil
A
história da natação brasileira
inicia em 1908, quando aconteceram em Montevidéu,
as primeiras provas internacionais na América
do Sul. Graças ao famoso Abraão Saliture,
o Brasil conquistou as primeiras vitórias internacionais,
vencendo as provas de 100m e 500m livre. Em 1912,
a natação foi regulamentada pela Federação
Brasileira das Sociedades de Remo.
No
início do século, as provas de natação
eram realizadas em rios. O Tietê foi local de
célebres competições. As travessias
realizadas nesse rio eram bastante populares. Em 1923,
a Associação Atlética São
Paulo, uma das entidades fundadoras da Federação
Paulista de Natação – FPN –
inaugurou a primeira piscina para competições
no Estado.
Em
1920, na Antuérpia, o Brasil fez sua estréia
em Jogos Olímpicos.
A
modalidade crescia e o reflexo era a maior presença
de paulistas nas seleções brasileiras.
Nas Olimpíadas de 1936, em Berlim, Maria Lenk
foi semifinalista nos 200m costas, enquanto João
Havelange, então atleta do Espéria,
nadou os 400m e os 1500m. Ao longo dos anos a natação
brasileira progrediu muito, o interesse do público
e as performances atingidas pelos nadadores contribuiu
demais para essa ascensão.
Em
1948, a natação masculina do Brasil,
pela primeira vez, chegou a uma final olímpica.
Nos jogos de Londres, Willy Otto Jordan, do E.C. Pinheiros,
foi o sexto colocado nos 200m peito.
Quatro
anos mais tarde, Tetsuo Okamoto, nadador do Yara Clube
Marília, foi o terceiro nos 1500m livre, colocação
que Manoel dos Santos, E.C. Pinheiros, repetiu em
Roma, 1960, nos 100m do mesmo estilo. Um ano mais
tarde, o nadador tornou-se recordista mundial da prova.
Depois
dessas conquistas, o Brasil só voltou a se
destacar na década de 1980, com a medalha de
bronze no revezamento 4x200m livre nos Jogos Olímpicos
de Moscou e, principalmente, em 1982, quando o paulista
Ricardo Prado tornou-se o único brasileiro,
até hoje, a vencer um campeonato mundial em
piscina longa, em Guaiaquil no Equador, com direito
ao recorde mundial dos 400m medley.
A
antiga CBN – Confederação Brasileira
de Natação – se transformou em
Confederação Brasileira de Desportos
Aquáticos – CBDA – em 1988 com
a entrada do atual presidente Coaracy Nunes Filho,
que entendeu que o nome da entidade deveria refletir
todas as modalidades por ela representadas –
natação, nado sincronizado, pólo
aquático, saltos ornamentais e maratonas aquáticas.
Em
1988, 3 mil atletas constavam nos cadastros da CBDA.
Hoje, a Confederação tem mais de 65
mil atletas cadastrados, 3 mil clubes e 27 Federações
Estaduais e um calendário com centenas de eventos
nacionais e dezenas de competições internacionais
por ano.
Atualmente,
o Brasil possui diversos atletas de nível internacional
e o maior de todos é, sem dúvida, Gustavo
Borges, dono de 4 medalhas olímpicas e, juntamente
com Torben Grael, o atleta brasileiro mais premiado
em Jogos Olímpicos. Além disso, a equipe
de revezamento 4x100m livre foi duas vezes campeã
mundial em piscinas de 25m e medalha de bronze nas
Olimpíadas de Sydney, 2000.
Mas
nem só da natação em piscinas
vive este esporte no Brasil, em 1958, Abílio
Couto tornou-se o primeiro brasileiro a atravessar
a nado o Canal da Mancha, tornando-se um dos primeiros
mitos da natação brasileira. A travessia
do Canal da Mancha representa a maior façanha
em todo o mundo de um nadador de águas abertas.
A
fama de Abílio viria a crescer ainda mais no
ano seguinte, em 1959, quando ele bateu o recorde
mundial da travessia do Canal da Mancha – que
liga a Inglaterra à França – com
o tempo de 12h49min. Catorze dias após bater
o recorde da travessia, Abílio disputou a etapa
do Canal da Mancha válida pelo campeonato mundial
de natação em águas abertas e
venceu a prova que foi disputada por atletas profissionais
(Abílio era amador).
Fontes de Referência
CBDA
(Confederação Brasileira de Desportos
Aquáticos)
FINA
(La Federation Internationale de Natation)
História dos Esportes, Orlando Duarte, Makron
IOC
(International Olympic Committee)
The Illustrated Encyclopedia of Sports, Aurum Press
|